Diário de Tsukiji I – Do Nuclear ao Atum

Olá a todos,

Começamos esta pequena série de artigos sobre o desenvolvimento interno do Tsukiji, um dos futuros lançamentos da Redbox para 2017 e que entrará em financiamento coletivo mundial ainda neste semestre. Se você ainda não conhece o Tsukiji e gostaria de saber mais informações sobre o jogo, nosso hotsite sobre o jogo é seu destino certo! Acesse por aqui: Tsukiji Hotsite.

Nesta primeira parte falaremos sobre o início do desenvolvimento interno do jogo na Redbox. A descoberta, a tarde de testes e uma ideia que mudou o jogo definitivamente!

Nos idos de 2015, a Redbox já tinha definido que entraria no mercado de Boardgames. Atuaríamos em duas frentes. Licenciaríamos jogos do exterior para o português, e faríamos o caminho inverso, levando jogos brasileiros para os mercados estrangeiros. Com isso em mente começamos a peneirar alguns jogos que se enquadrassem na nossa proposta inicial. Jogos leves, rápidos, com uma pegada família que não fossem simples ou simplórios demais. E assim os jogos começaram a aparecer.

O melhor coletivo de Game Design do Brasil!

Estando no Rio e tendo uma boa relação com o pessoal da Mansão das Peças foi natural que as primeiras experiências viessem de lá. Já tínhamos dois outros jogos em vista, um apalavrado que acabou não se concretizando e outro que preferiu deixar o jogo para um momento futuro por conta de uma oportunidade profissional. Estávamos na estaca zero mas a coisa iria mudar.

Numa reunião marcada com o sempre boa praça Rômulo Marques, recebo o pessoal da Mansão com seus jogos. Joguei vários, gostei de todos (mesmo) e publicaria pelo menos uns três, mas eu precisaria tirar desta reunião apenas um, no máximo dois. Dois jogos para desenvolver e transformá-los em produtos com uma pegada mundial. E aí conheci o Micropolis (que você ainda ouvirá falar muito dele em 2017) e o Tsukiji, ou melhor, o Green Money.

A Imagem da Caixa do Protótipo

Sim, o Green Money era um jogo acanhado de leilão de fontes de energia, onde você precisava manipular o mercado, comprar lotes de diferentes tipos de energia e ao mesmo tempo colecionar cartas de Energia Nuclear sem descuidar de observar as cotações do mercado e projetá-las para o futuro, para que você conseguisse investir apenas nas energias que se valorizarão no final do jogo. É um misto de exercício de adivinhação com análise de mercado. Você precisa ver exatamente o que todos na mesa estão comprando, quais energias estão nos lotes mais valorizados e ir acompanhando o ritmo das compras sem demonstrar
exatamente o que você está tentando valorizar para não despertar o interesse dos outros jogadores.

Foi amor a primeira vista! Sei que o sentimento foi impulsionado pela minha vitória no jogo. Designers de jogos sempre deixam seus editores vencerem nas primeiras partidas (ou ao menos até o contrato estar assinado) mas o jogo era realmente muito interessante mecanicamente. Era divertido, inteligente, elegante e extremamente rápido. Nossa partida durou menos de 30 minutos mesmo sendo jogada com 4 jogadores. O jogo era perfeito para a Redbox, mas tinha um problema grave: o tema!

Cartinhas do Protótipo

Não me levem a mal, mas temas paradidáticos, com cara de educativos são ótimos para alguns nichos, mas destoaria do catálogo da Editora e são sempre mais complicados de vender. Precisávamos de uma mudança de tema e ela veio neste mesmo dia, na despretensiosa conversa pós-jogo onde o designer tenta saber de verdade se o jogo agradou ou se o editor está sendo apenas educado!

Me lembrei da mecânica de leilão e do papel de set collection que a energia nuclear exercia no jogo e, mesmo sem assinar nenhum contrato, sugeri ao Leandro que mudasse o tema do jogo para aquele mercado de peixe do japão onde donos de restaurantes brigam para comprar os melhores lotes de peixes e frutos do mar para seus restaurantes e onde os atuns sempre são vendidos a preços indecentes!

A ideia agradou o Leandro de início que ficou de pensar e bolar uma forma de transpor as mecânicas do Green Money para o jogo de Leilão de Mercado de Peixe.

E assim, o Tsukiji começava a nascer…

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No Diário de Tsukiji II falaremos da transposição das regras, da criação dos primeiros protótipos e da recepção do jogo em Essen 2016.