Guia de Armadilhas: diário de produção (parte 2)

Aventureiros! Trazemos aqui a segunda parte do diário de produção do Guia de Armadilhas do Old Dragon! Semana passada foi a vez do autor Rafael Beltrame, e agora o autor Igor Sartorato fala sobre como foi escrever o livro, dos desafios de colocar as armadilhas de uma forma bacana e de fazer um livro não apenas útil, mas inovador para qualquer RPGista.

A pré-venda do Guia, como vocês sabem, está prevista para agosto. Vocês não perdem por esperar!

Fiquei bastante surpreso ao ser convidado a escrever este livro em conjunto com o Rafael Beltrame, afinal eu nunca havia escrito nenhum livro de RPG profissionalmente. Além de que, não é todo dia que se recebe uma oportunidade destas, de trabalhar em um jogo do qual se gosta.

Aceita a missão, o primeiro desafio foi determinar como conduzir os trabalhos. É claro que tínhamos alguns parâmetros já predeterminados pelo editor (Mr. Pop), mas a Redbox também nos deu muito espaço para trabalharmos e desenvolvermos o livro como desejássemos. Então, uma das primeiras coisas que decidi é que, como ainda não há um “livro do mestre” para o Old Dragon, devíamos gastar algum tempo falando do básico sobre armadilhas, de como usá-las e lidar com elas, e também descrever os tipos mais simples de armadilhas, dos quais os mecanismos mais complexos são derivados. É claro que para os “macacos velhos” isso é meio redundante, mas para os jogadores iniciantes seriam informações de grande ajuda.

Tínhamos inicialmente dois objetivos gerais em cima dos quais iríamos trabalhar: as armadilhas propriamente ditas, e os desafios e enigmas. Enquanto trabalhava nas armadilhas, cheguei à conclusão de que ainda havia todo um campo que não estava sendo explorado: os desafios naturais que poderiam ser tão difíceis e empolgantes para os personagens dos jogadores lidarem quanto as armadilhas propriamente ditas. Seria interessante dar alguns parâmetros para o mestre usar quando os personagens encontrassem um rio com fortes corredeiras a serem ultrapassadas, ou uma câmara cheia de perigosos gêiseres ferventes explodindo no fundo de uma caverna. Assim, quando as armadilhas ficaram prontas, comecei a trabalhar nos desafios naturais, que espero adicionarão muita diversão ao jogo de muitas mesas de Old Dragon.

Minhas principais influências na hora de criar armadilhas e desafios novos foram os bons e velhos jogos de videogame no estilo adventure RPG (como a série The Legend of Zelda), e um grande amigo e meu antigo mestre de jogo de D&D que era realmente muito criativo e cruel ao criar suas armadilhas.

Trabalhar com o Beltrame foi muito legal, as coisas fluíram fáceis, com as discussões sempre resultando para um ponto de vista comum visando criar o melhor material possível. É sempre bom encontrar uma mente com um ponto de vista sobre RPG old school como a sua para trabalhar!

O maior desafio ao escrever este livro, ao menos para mim, acho que foi conseguir descrever as armadilhas de forma simples, concisa e compreensível. Nem sempre é muito fácil se fazer entender quando a armadilha envolve algum tipo de mecanismo complexo. E nisso as ilustrações do Felipe PEP vieram para dar um grande auxílio: elas tornam a compreensão das armadilhas imensamente mais simples! Foram muitas idas e vindas, conversando com ele e pedindo alterações nestas e naquelas ilustrações para representarem mais fielmente o que havia sido escrito, mas no fim acredito que valeu à pena!

Ao final de todo o processo, penso que fizemos um bom trabalho, dando um bom tratamento ao assunto das armadilhas e desafios que um personagem pode enfrentar durante uma aventura, com uma exploração bastante extensa sobre o assunto, ainda que nem de longe tenhamos exaurido o tema. Só posso desejar que o livro seja tão divertido para aqueles que forem usá-lo como foi para mim escrevê-lo.