Guia de Armadilhas: diário de produção (parte 3)

Feliz ano novo, senhores! Com o Guia de Armadilhas em PDF já nas mãos de quem comprou na pré-venda e prestes a ir para a sua estante, estamos trazendo a última parte do diário de produção (leia os outros artigos clicando aqui). O Guia é um suplemento inédito no Brasil e sua produção também foi inusitada, incluindo as divertidas e didáticas ilustrações de Felipe Pep.

Quando recebi o convite para ilustrar o Guia de Armadilhas pensei: “Nossa! Vou ilustrar um livro só com coisas mortais e sádicas legais!” Pois bem, foi mesmo divertido participar deste projeto. Confiram então as etapas do processo de ilustração e entendam um pouco da minha modesta participação neste belo trabalho.

A primeira etapa foi uma fase de testes. Precisei fazer alguns esboços até achar um estilo para o projeto. Não achei que algo muito sério, sombrio ou realista fosse o ideal, por isso optei por um estilo mais descontraído e bem humorado. Queria que a arte trouxesse alguma dose de humor sádico e brutal para que a leitura de forma alguma se tornasse cansativa ou “acadêmica”, afinal estamos falando de um manual descritivo e muito bem detalhado. Foi difícil, mas conseguimos!

A segunda etapa consistia em entender a descrição das belezinhas insanas armadilhas. Foram muitos e-mails trocados com Beltrame, Mr. Pop, Dan Ramos e Sartorato até que eu interpretasse corretamente cada letra do texto. As ilustrações tinham que ser fáceis de compreender e auto-explicativas, pois funcionariam como um elemento chave na compreensão do livro.

Muito divertida e trabalhosa foi a terceira etapa. Agora tinha que idealizar cenas para mostrar as armadilhas de uma forma, que a mente do mestre carniceiro leitor se perdesse entre as mil e uma possibilidades de uso. Como não seria nada estimulante ver armadilhas voando num fundo branco, elaborei alguns cenários clichês de aventuras de RPG (Dungeon, floresta, vulcão, sala de tesouro, covil de monstro etc) e também criei alguns personagens azarados icônicos para sofrerem como cobaias.

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Aqui faço uma pausa para falar como foi legal desenhar estes personagens padecendo violentamente em cada armadilha! Sentia simpatia por eles a cada ilustração e até tentei poupar suas vidas, mas fui vetado me desdobrava para tentar passar suas emoções e personalidades para o papel.

Bom, nossos personagens precisavam ser simples e marcantes, por isso usei elementos clássicos e abusei dos quadrinhos sequências, como em gibis, mas como eles não são os grandes astros do livro, tinha que manter o trabalho centrado nas armadilhas e por isso abstrai todo desejo de enfeitar demais o pavão, abusar de texturas, sombras, hachuras, e detalhes mil.

Tá… mas não resisti aos easter eggs e homenagens, por isso temos algo do gênero também!

Na ultima etapa tivemos que aparar as arestas. Corrigir algumas ilustrações, melhorar outras e em alguns casos refazer toda uma cena, mas no final eu me senti satisfeito com o resultado e não vejo a hora de ter esse suplemento em minha coleção.

Espero que gostem muito das minhas ilustrações armadilhas e que usem e abusem do livro em suas aventuras.