Navegando nas Ondas Gravitacionais

Na última semana o mundo foi pego de surpresa e se encheu de orgulho pela ciência quando o fenômeno de ondas gravitacionais, teorizado por Albert Einstein há basicamente um século, foi finalmente observado através de experimentos.

Creio que boa parte dos internautas já tenha uma noção básica do que se trata, mas não custa relembrar. Eventos cósmicos de grande magnitude (e portanto energia) causam distorções na própria “malha” do universo. Estas são as ondas gravitacionais que, usando uma analogia simples, agem como as ondas do mar. Porém o que elas afetam é a gravidade.

Ilustração do efeito das ondas gravitacionais

Ilustração do efeito das ondas gravitacionais

O mais legal disso tudo é que as ondas gravitacionais são a base para diversas outras teorias – reais ou fictícias – que envolvem a viagem espacial… e quiçá temporal! Ou seja, material de primeira para Space Dragon, não acham? As histórias de ficção científica são recheadas de referências às descobertas recentes nas épocas em que foram escritas. Não vamos ficar de fora dessa!

Desta forma, trago algumas maneiras de inserir o fenômeno das ondas gravitacionais em suas mesas de jogo. Imaginem que o espaço é um oceano infinito e as espaçonaves são as embarcações. Para quem já assistiu o filme Perdido em Marte (aliás, outra ótima referência) ou conhece o termo em inglês (“spaceship”) a alusão é instantânea. Içar as hipervelas iônicas marujos espaciais!

Ondas Gravitacionais em Space Dragon

No Espaço

O espaço pode parecer apenas um vazio infinito, mas está longe disso. Mesmo quando não é possível tocar em algo (ou colidir em alta velocidade, o que seria mais fácil) ou sequer observá-lo a olho nu, é possível detectá-lo através de instrumentos. Ondas gravitacionais estão nesta categoria.

Diversos fatores podem causar tais ondas: a colisão de dois buracos negros a séculos-luz de distância, a separação de uma estrela de seu sistema planetário após uma longa translação elíptica errática, a explosão de uma supernova ou até a destruição de um planeta inteiro com um superlaser montado em um planetoide de batalha.

Esses fenômenos causam ondas gravitacionais que se propagam em todas as direções pelo espaço (e alguns diriam até pelo tempo). São medidas em uma escala percentual denominada “Einstein” que varia de 01 a 50%. Ela mede o quanto o espaço é distorcido pela passagem de tais ondas, que nunca perdem sua força por propagarem-se no vácuo.

Tais distorções causam problemas de manobrabilidade de espaçonaves ao passo que o universo ao seu redor passa a momentaneamente funcionar de forma diferente do normal. A intensidade da onda gravitacional na escala Einstein é portanto utilizada como penalidade no teste de pilotar percentual feito pelo personagem comandando a nave. Isto é chamado de Interferência Gravitacional (IG).

Ex.: Ao tentar realizar manobras evasivas durante um combate espacial durante a passagem de uma onda gravitacional de intensidade 25%, o piloto da nave Dragon-S deverá subtrair esse valor de seu percentual de pilotagem. Como trata-se de um personagem de nível 6 sua probabilidade-base é de 85%. Ele terá sucesso nas manobras evasivas de conseguir 60% ou menos na rolagem de 1d100.

Ondas gravitacionais são particularmente perigosas durante a realização de um salto hiperespacial, já que uma falha em uma das três rolagens necessárias pode fazer com que a espaçonave transporte-se para um local totalmente desconhecido – talvez até dentro de uma estrela!

Em Planetas

Assim como em nosso mundo real o experimento para detecção das ondas gravitacionais foi feito na superfício da Terra, em Space Dragon elas podem também afetar espaçonaves que estejam dentro da atmosfera e/ou campo gravitacional de um corpo celeste.

Contudo isso causa certa perda de força por parte das ondas já que chocam-se com a própria gravidade local. Para determinar essa perda, basta dividir a gravidade do planeta (ou lua, asteroide, etc.) por 5 para determinar a perda de força da onda gravitacional. Este é o Limiar de Correção Gravitacional (LCG). Planetas e outros corpos celestes com LCG elevado podem acabar anulando completamente a influência de uma onda gravitacional caso esta não seja suficientemente forte.

Ex.: Um asteroide de gravidade 70% é atingido por uma onda gravitacional de 30% de intensidade. Dividindo-se a gravidade do asteroide por 5 obtemos o valor de LCG 14, que é descontado da onda gravitacional. Ela é considerada como possuindo intensidade 16% na escala Einstein para fins de regras.

REGRA ADICIONAL: esta regra não é abordada no Manual Básico do Space Dragon mas pode ser adotada em mesa caso o grupo ache interessante. Da mesma forma que as ondas gravitacionais afetam a pilotagem, a gravidade inerente de objetos no espaço pode fazer o mesmo. Ao aproximar-se de um planeta – para pousar, por exemplo – utilize o LCG para determinar uma penalidade em testes de pilotagem enquanto a nave estiver sob seu alcance. Entretanto naves podem possuir dispositivos para anulação desses efeitos dependendo de onde foram construídas.

Tsunamis Gravitacionais

Já foram registrados casos em que ondas gravitacionais ultrapassaram a escala Einstein, marcando mais de 50% de potência. São chamadas popularmente de tsunamis gravitacionais. Teoriza-se que uma onda gravitacional de intensidade 100% seja de força equivalente ao Big Bang e, portanto, impossível de ocorrer.

Estas ondas são capazes não só de interferir no funcionamento de espaçonaves, mas causar danos às mesmas. A distorção é tamanha que os cascos das embarcações sofrem com pressões extremas, dilatando e contraindo-se.

Na ocasião de um tsunami atingir uma nave, o piloto deve obrigatoriamente realizar um teste de pilotagem seguido de uma JP da nave. Essa JP determina o quanto ela sofrerá de dano. No caso de um sucesso sofre apenas metade do dano, e numa falha, o dano cheio. O resultado da rolagem do piloto determina um bônus ou penalidade na JP, de acordo com a tabela a seguir.

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O dano a ser sofrido pela nave é simplesmente o valor de IG do tsunami gravitacional. Uma onda com potência 70% causa exatamente 70 pontos de dano em uma nave que falhe na JP, mas apenas 35 num sucesso.

Entretanto deve-se ter em mente que tempestades gravitacionais podem ocorrer, com tsunamis atrás de tsunamis. É impossível realizar qualquer ação durante a passagem de um tsunami gravitacional a não ser tentar evitar o dano à espaçonave.