Entrevista: John Bobek -parte 2

Segue a continuação da entrevista com John Bobek. Espero que gostem e aproveitem!

(e mais uma vez, agradeço ao John pela entrevista)

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Recentemente, arbitrei e joguei numa partida de Clone Wars em que era um mestre Jedi com um jovem jedi E Jar Jar Binks escoltando um senador e sua noiva. Dróides abordaram nossa nave liderados por um Lorde Sith e General Grievous. A tripulação e alguns poucos Clones que estavam os dróides atacaram defenderam bravamente mas foram sobrepujados. Consegui diminuir o número de atacantes pela sala do senador (ele e sua noiva estavam presos no quarto enquanto os “klankers” [N.T: refere-se aos dróides. "Klank" é como se fosse um som de metal] tentavam inutilmente derrubar as portas. Me dirigi até a ponte da nave [N.T: "ponte" é o centro de comando] pois o Lorde Sith a tinha capturado. Ele conseguiu desligar todo o suporte de vida. Os dróides não precisam de suporte de vida, mas o senador com certeza precisa. General Grievous parecia confuso e correu para um “pod”. Os dróides estavam confusos e sem líder. Confrontei o Lorde Sith e ataquei-o com meu sabre de luz quando ele usou o dele, não para me bloquear, mas para quebrar a janela na frente dos controles. A descompressão começou a sugar o ar da sala e o Lorde Sith tentou me segurar e puxar junto com ele. Consegui evitar seu agarrão e o Lorde Sith deixou a nave de uma maneira não autorizada. Usei a Força para lançar um grande pedaço do painel para selar a fenda. Então, liguei de volta o suporte de vida.

Neste meio tempo, General Grievous conseguiu o que queria e ameaçou lançar o caos na nave. Infelizmente para ele, Jar Jar estava correndo loucamente. Para Jar Jar, as regras eram o oposto dos outros personagens. Tudo que ele anunciava que iria fazer, jogávamos um dado para ver se o oposto ocorria com uma boa chance de ocorrer. Por exemplo, Jar Jar tentou não bater [N.T no sentido de dar um "encontrão"] em Grievous e o nocauteou. Pobre Grievous! Ele foi capturado como resultado! Os dróides restantes foram eliminados. A nave estava precisando de sérios reparos, mas o senador e sua noiva estavam salvos!

Usei as regras do meu livro, as figuras da Wizards of the Coast, e o mapa da “Empress Marava” da Steve Jackson Games.

(soldadinhos de plástico comuns. o que importa é jogar!)

6- Quando o RPG surgiu, quais foram seus primeiros pensamentos, como wargamer? Você foi contra, de alguma maneira?

Contra? Dificilmente. Como eu disse, para mim, cada jogo, cada jogo de tabuleiro como Tactics II é um RPG. Se eu comando um tanque em jogos de miniatura, EU ESTAVA nesse tanque. RPG de papel e lápis eram pra mim apenas outra forma de jogar e certamente, não uma ameaça aos wargames.

7- Algumas pessoas acreditam no seguinte: RPG “nasceu” do wargame. Então, após se desenvolver até o ponto que o conhecemos, esta retornando ao wargame, de certa forma, dando mais importância à movimentação, habilidades e estratégia (e menos à interpretação). O que você acha disso?

Eu não diria que o RPG se afastou muito de ser um wargame. Dependendo de quem esta jogando,  (ou do Dungeon Master), pode colocar mais ou menos ênfase no combate. Acredito que está ganhando mais uso de miniaturas o que seria verdade visto suas raízes como wargame de miniaturas. O predecessor direto do D&D era o Chainmail com seu suplemento de fantasia. Chainmail fora  escrito para batalhas com cavaleiros de brinquedo e guerreiros numa mesa. Acredito que a Wizards of the Coast percorreu um longo caminho para trazer a popularidade das miniaturas de volta ao RPG. As figuras que eles fazem para D&D, Star Wars e as Clone Wars são fantásticas, E já vem pintadas!!! Heroclix e outros continuaram na “atitude” das miniaturas. Acho que Warhammer ajudou a cultivar esse momento para as minis também. Eu? Nunca abandonei. antes da Wizards of the Coast, eu usava os heróis de cartolina da Steve Jackson.

(não sei de que empresa é, mas achei muito legal)

8- O que você acha necessário para atrair novas pessoas ao jogo? Quero dizer, pelo menos aqui no Brasil, as “crianças” hoje em dia só querem saber de internet, computadores e video-games. Parece que lhes falta o lado “vivo” de jogar, o “toque humano”. Qual você pensa ser a melhor maneira de fazê-los “sair da caverna” e mostrá-los o maravilhoso mundo do wargame/rpg/etc  “real”?

Não acho que tenha muita variação na atitude das crianças do Brasil com as dos Estados Unidos. A mídia eletrônica afetou as crianças no mundo todo. Mas, apesar dos chamados peritos na educação, as crianças nunca mudaram. OS pais mudaram e existem diferentes distrações, mas as crianças adoram interagir com outras crianças. Eles também gostam de “eye candy” [N.T: expressão que quer dizer algo visualmente chamativo e/ou agradável aos olhos] e um bom desafio. Proporcione a eles estes três elementos e eles irão jogar (eles não irão abandonar os jogos eletrônicos, mas irão acrescentar os reais também). Não vejo problema em deixar as crianças entusiasmadas com miniaturas de wargame. O “eye candy” esta pronto, tanques, tropas, terrenos, etc. O desafio é a batalha ou cenário. O social é óbvio. Um outro fator, devo adicionar, é ter um sistema que se jogue rápido e que não interfira no aspecto “filme” do jogo. Com isso, quero dizer, deve-se sentir menos como se estivesse jogando um jogo e mais como se estivesse num filme!!! É por isso que desenvolvo minhas regras da maneira que faço.

9- Alguma última consideração que queira dividir?

Fui privilegiado de conhecer várias pessoas que agora são reconhecidas como gigantes do hobby, Dave Arneson, Gary Gygax, Mike Reese, Leon Tucker, Jeff Perrin, Don Featherstone, e muitos outros. Tenho quatro hobbies principais fora ler sobre história.

Eles são carros de corrida (estou trabalhando com o tempo e pontuação para o Sports Car Club of America), fotografia, paintball e wargaming. Meu favorito é wargaming!!!


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7 comentários

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  • CR 3 de setembro de 2010

    Po, deve ser divertido, mas pena que nunca joguei esse tipo de jogo (nem nunca usei miniatura).

  • Rafael Beltrame 3 de setembro de 2010

    Poh CR, isso é o de menos. dependendo do tema, é ate facil. tipo, WWII tem varias minis de plastico nos 1,99 da vida, assim como minis de indio e confederados.

    tenho uma dragon magazine q tem o jogo “Dino Wars”, q tem regras para joagr dinossauros contra soldados, é bem divertido.

    o maior problema, de todos os jogos, é achar gente pra jogar, heheheh

  • CR 4 de setembro de 2010

    Pois é, mas o problema é que meu grupo nunca teve esse costume mesmo. Acho que agora nenhum de nós tem esse “ânimo” de comprar miniaturas (que seriam vistos como “bonequinhos” por nós, hoje dia) para esse tipo de jogo. Mas até que pareceu bem divertido, de acordo com o que foi dito pelo JB.
    ­
    Aliás, o mercado de Wargame e miniaturas é bom, aqui no Brasil?

  • Igor "Corvus Corax" Sartorato 4 de setembro de 2010

    Achpo que é tão bom quanto o mercado de RPG. Ou seja, vai mal das pernas mas existe.

  • CR 5 de setembro de 2010

    Aaah, saquei. Citaria que o mercado tem tudo para dar uma levantada com os projetos da Retropunk e do Old Dragon, mas o problema é que ainda não há um bom marketing em cima do hobbie. E, para frisar o que o Rafael falou na entrevista (sobre as crianças só quererem saber de video-game), agora com esse projeto “Jogo Justo”, elas só vão querer saber de Playstation mesmo rs.

  • Luciano 25 de outubro de 2011

    O mais legal é ler a entrevista com uma das cabeças que deram origem ao D&D.
    Foi o Jeff que assediou o Gary Gygax depois de ler a Strategy & Tactics (Siege of Bodenburg) o SET de regras da dupla, publicado num periodico interno chamado Doomsday Book, deu origem ao Chainmail publicado pela Guidon Games e posteriormente pela STR.

    Muito boa a entrevista.

    Abs

    Luciano

  • puma pas cher 3 de setembro de 2012

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