Xingamentos grizzi e a arte de irritar o próximo

Que os grizzi são mestres em ofender os outros, propositalmente ou não, não há duvidas. Sua criatividade é tão grande que em certos eventos, multidões se formam para ouvir duelos de xingamentos entre dois grizzi. Raramente vemos outra raça disposta a participar deste tipo de embate, pois geralmente o resultado acaba sendo algum tipo de violência e confusão.

“Xingar” não necessariamente implica em ofender diretamente, mas sim, deixar o outro constrangido, seja por cismar ou expor uma falha de carácter, condição física ou mental. Às vezes, o xingamento pode não fazer muito sentido, mas se a multidão demonstra achar graça, ou fazer troça do alvo, é o suficiente para os grizzi considerarem uma “vitória”.

Conseguimos com exclusividade, graças ao mestre trovador grizzi Rashtäg, uma pequena lista de alguns de seus xingamentos favoritos.

– Sebo da dobra da pança
– Hálito de sovaco
– Gengiva de orc
– Nariz craquento
– Seu ogro flatulento
– Lambedor de remela
– Cara de esmegma
– (para um Tenebrum) Seu teneburro!
– (para um Tenebrum), Ei, morcilha!
– Não sei se é um anão ou se está comendo uma vassoura
– (para uma mulher) Pelo bigode, dá pra dizer que sua mãe era uma Anã
– Sua mãe colocava nargula na sua mamadeira?
– Como você sabe para quem dar presentes no dia dos pais?
– Pior que um Silente tagarela!
– (para um meio elfo) Ei, meio humano!
– (para um meio elfo) Meio elfo, é? Do que é a outra metade?
– (para magos) Seu vestido combina com seu corpo delicado
– Você tem pubo negro ou é um meio-tenebrum?

Duelos de provocação

Como se não bastasse o apreço e facilidade que os grizzi tem em provocar, às vezes eles tomam isso como um hobby. Não é incomum encontrar feiras ou eventos que deem suporte a esta prática, de forma que um ou mais grizzis se apresentem com seu “repertório”. Quando ocorrem em grandes praças os temas variam muito, como xingar a família de um “voluntário” ou os aspectos gerais de algum escolhido. Em locais menores, menos visados e geralmente de acesso restrito, pode ocorrer do locutor xingar o governo ou seus governantes, criticando sua política, administração ou simplesmente sua cara feia.

Dentre as modalidades mais comuns, temos o “akvot”, cuja tradução aproximada é “colocar na frigideira” e o “rushni” (algo como “espetar”). O akvot é feito por apenas um grizzi, que escolhe alguém da plateia (visto que poucos se voluntariam), ou em casos menos comuns, alguém importante na região mas ausente no espetáculo. Durante o akvot, verdades e ironias se misturam com indelicadezas e exageros, de forma a ridicularizar o escolhido.

“A administração do chefe Joorkan é fora de série! Ou melhor, fora do sério, porque ele só faz palhaçadas”

“Então, você é fazendeiro? Nota-se pela sua cara de tubérculo que tem muita afinidade com seu emprego”

“E o que falar do capitão Normal? Ele tentou entrar para a Legião da Caveira, mas com tanta gordura, não deve entrar nem para a Legião dos Ogros”.

Já o rushni é um duelo entre duas pessoas, geralmente dois grizzis (visto que poucos aceitariam esse tipo de duelo, com a expectativa de vencer um grizzi). Começa com um tema, escolhido ao acaso por um deles ou pela plateia. Em seguida, um dos dois começa a contar um tipo de história, em duas ou três frases, insultando o adversário. Este, por sua vez, responde com outras duas ou três frases, terminando com uma ofensa e iniciando outro desafio/afronte.

Este desafio é feito em ritmo cantado, em rimas. As vezes é acompanhando por alguns instrumento pequeno de percussão, como um tambor ou pandeiro. O vencedor é escolhido pelo público, que interage durante a apresentação com palmas, vaias ou risadas.

“Venham todos, minha gente, que uma história vou lhes contar!
Conheçam meu amigo mais feio, tão feio que faz vomitar!”

“Eu sou feio de nascença, isso não nego não!
Mas pelo menos não sou burro, mais burro que um anão!”

“Não xingue os barbudos, eles são gente da melhor qualidade!
Ao contrário de você, seu estrupício, eles são mestres da moralidade!”

“Moral que você não tem, nem na ponta do cabelo!
O seu papo é furado, sua cara é o diabo e o seu beiço é de camelo!”

E assim por diante, até que um deles fique sem resposta, ou que a plateia ria (ou bata palmas) de tal forma que não se consiga ouvir o que o outro tem a dizer.

Em jogo

Aconselha-se que o jogador use de usa imaginação para fazer estes duelos, inventando rimas e piadas. Contudo, caso o Mestre sinta necessidade de criar algum tipo de regra, sugere-se que cada participante faça um teste de Sabedoria, aplicando modificadores de INT, CAR e +1 a cada 5 níveis do grizzi. Quem passar com a maior diferença  leva uma vantagem, e aquele que levar um total de 3 vantagens ganha o duelo. Um resultado “20” significa um erro catastrófico, levando o adversário a ganhar uma vantagem sem precisar rolar o dado.

Ex:
Mirinko faz um rushni com Pricylaw, sua tia-prima de quinto grau. O palco está montado, e o público afoito. Na primeira jogada, Mirinko tira um 14. Sua SAB é 12, e seus bônus são +1 de INT, 0 de CAR e +1 pelo se nível. Ele passa raspando, mal conseguindo encaixar a rima.

Pricylaw, por sua vez, tira um 15, mas sua SAB é 14, com bônus de +1 (INT) , +1 (CAR) e +1 (nível).
Enquanto Mirinko passou com “0” de diferença do seu mínimo, Pricylaw passou com “2” pontos de diferença. Ela tem a primeira vantagem, ofendendo as orelhas quebradas de Mirinko.

Na segunda rodada, Mirinko tira 10 e Pricylaw 12. Suas diferenças (teste de SAB + modificadores) são de 4 e 5 respectivamente, levando Pricylaw a sua segunda vantagem.

Na terceira rodada, Mirinko recobra suas forças imaginativas ao tirar um 4, enquanto Pricylaw tira um 15 (notem que mesmo passando no teste, a diferença é menor do que a de Mirinko).

Na quarta rodada, confiante da vitória, Mikinko despeja seu arsenal sem se dar conta de que cometeu uma gafe, uma ambiguidade horrível, e acabou falando uma grande bobagem! Ele tira “20” no dado, dando automaticamente a vantagem e a vitória à sua tia-prima de quinto grau.

“Esse lance tá no papo, você é uma pobrezita
Sou tão rico mas tão rico,  que me abunda a pita… er, não, pera!”

(gargalhadas ininterruptas do público)